Amor ao Brasil


ILUMINAR AS HORAS

 

Tenho certeza de que somos espíritos imortais e portanto temos toda a eternidade pela frente. Mas viemos para esta vida com o objetivo de nos tornar pessoas melhores e, quando nos damos por nós percebemos o quanto a vida é curta. Quando eu estava na casa dos vinte anos e lia que a vida passava rapidamente achava que era só em comparação com a eternidade. Aos cinqüenta anos percebo que a vida voou.

 

Pensando nisto, tomamos consciência das horas que perdemos em nossas vidas, que não somaram em nada para alcançarmos os objetivos que traçamos antes de nascermos.

 

De início vamos meditar sobre as horas que passamos dormindo. O sono é imprescindível para a recuperação de nossas forças, tanto materiais quanto morais. É importante investir em atitudes preparatórias para  acordar mais cansados do que quando fomos dormir. A prece, uma boa leitura e principalmente o condicionamento do nosso subconsciente com frases positivas irão proporcionar um bom sono. Mas o problema é que muitas vezes dormimos demais. Aos domingos, especialmente os homens, acordamos mais tarde, almoçamos aquela tremenda macarronada, acompanhada de uma cervejinha, pois ninguém é de ferro, aí bate aquele sono e dormimos o restante da tarde. As horas de domingo, como também de sábado para muita gente, poderia ser melhor  utilizada para fazermos coisas diferentes do resto da semana. Passeios, visitas, bons livros, cursos de aprimoramento, trabalho voluntário, que melhoram o ser.

 

Também perdemos muitas horas com a preocupação. Na prática menos de cinco por cento de nossas preocupações realmente tornam-se realidade. Daí quase a totalidade das horas que passamos preocupados foram perdidas, e mesmo naqueles casos em que o problema acontece, sofremos duplamente, antes e depois do fato. E é mais fácil resolver o problema real que o temido. Pois enquanto estamos preocupados só vemos o lado ruim, não enxergamos as saídas, nem a possibilidade da redução das conseqüências. Tem outro fator que precisa ser analisado -preocupação não significa proteção. Assim por exemplo meu filho vai viajar pela primeira vez na vida em uma excursão escolar. Não adianta eu passar a noite toda acordado pois esta atitude não vai protegê-lo de um acidente.

 

São também perdidas as horas que passamos reclamando. Com raras exceções,  ao ficar lamentando-se de tudo, na verdade,  não queremos ver que todas as coisas que acontecem em nossas vidas, boas e ruins, são de nossa inteira responsabilidade.  Assim seria proveitoso para o nosso aprendizado procurar entender quais as nossas atitudes, pensamentos, julgamentos que estão gerando efeitos danosos e  corrigi-los.

 

A culpa também é um grande fator de horas perdidas. Ela é resultante de  remorso ou de medo das conseqüências,  de coisas que fizemos ou deixamos de fazer e que nos prendem ao passado. É muitas vezes a razão da depressão que assalta uma pessoa. A solução para livrar-se dela é o auto-perdão. Perdoar-se não quer dizer esquecer simplesmente os desatinos que cometemos. Nossa consciência não permite isso, sempre exige a reparação do erro. Só que reparar não significa sofrer o mesmo mal que impusemos a outrem, e sim, fazer o bem para aquele que fizemos o mal. E na impossibilidade de reparar com a própria pessoa, a vida nos oferece condições de fazer o bem para outros, e assim quitarmos a dívida com a nossa consciência. Reparando a falta pela prática do bem e só virar a página do livro e não pensar mais nisso.

 

Algumas atividades, se não realizadas de forma equilibrada, também significam horas desperdiçadas. Muitas pessoas passam diariamente, por exemplo, duas horas em atividades físicas, pois segundo elas, isso lhes prolongará a vida em cinco anos.  Só que não percebem que passaram estes cinco anos correndo. Até o trabalho, que é uma lei natural, que dignifica o homem, pode tornar-se um fator de desequilíbrio pela obsessão de armazenar bens e mais bens, esquecendo-se do real sentido da vida.

 

Para iluminar as horas,  algumas atitudes são importantes, dentre elas, o perdão. Perdoar não é uma questão somente religiosa,  e sim, uma boa atitude para quem quer desligar-se emocionalmente daquele que o ofendeu.   O perdão não serve para quem é perdoado, como vimos na análise da culpa, o agressor tem que reparar o erro. Serve só para quem perdoa, pois livra suas horas da sombra  do ressentimento, do ódio e do desejo do revide,  e mais, livra também das doenças que esses sentimentos provocam. Doenças essas que não estavam programadas no nosso planejamento reencarnatório e são conseqüências do não perdão.

 

Outra técnica de iluminação é amar. E a pessoa tem que começar amando-se. Não há como amar ao próximo, à natureza e até a Deus sem gostar-se. E amar-se significa:  primeiro, nos aceitar do jeitinho que somos. Segundo,  nos perdoarmos. Terceiro,  investir no nosso eu, tornando-nos pessoas melhores para termos forças para trabalhar nossos defeitos. Depois, amar nossos entes queridos - este próximo, mais próximo – que nos suporta como somos verdadeiramente e com quem paradoxalmente temos menos paciência.

 

E servir. Transcrevemos o ensinamento de Joanna de Angelis no livro Desperte e Seja Feliz, psicografado por Divaldo Pereira Franco, de onde tiramos as ações para iluminar as horas: “Impossível manter-se alguém em paz de consciência, longe do serviço iluminativo, de preservação e desenvolvimento do Bem.

Ociosidade é ferrugem nas engrenagens da vida.

O serviço vitaliza e promove aquele que o executa, particularmente quando é destituído de remuneração, de retribuição, de interesse pessoal e imediatista."



Escrito por Edson Silvério às 10h13
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Maria

 

Transcrevemos abaixo parte da lição número 30, com o mesmo nome, do Livro Boa Nova, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Humberto de Campos. Este livro que traz as principais personagens do Evangelho, já é de muito conhecido dos espíritas, mas como tenho amigos de outras religiões que fazem o esforço de ler este blog, tive a idéia de colocá-lo aqui como uma mensagem de esperança. Não transcrevi na íntegra pois ficaria muito longo e dividi o texto em duas partes por problemas operacionais do blog.

 

“Junto da cruz, o vulto agoniado de Maria produzia dolorosa e indelével impressão. Com o pensamento ansioso e torturado, olhos fixos no madeiro das perfídias humanas, a ternura materna regredia ao passado em amarguradas recordações. Ali estava, na hora extrema, o filho bem amado.

Maria deixava-se ir na corrente infinda das lembranças. Eram as circunstâncias maravilhosas em que o nascimento de Jesus lhe fora anunciado, a amizade de Isabel, as profecias do velho Simeão, reconhecendo que a assistência de Deus se tornara incontestável nos menores detalhes de sua vida. Naquele instante supremo, revia a manjedoura, na sua beleza agreste, sentindo que a natureza parecia desejar redizer aos seus ouvidos o cântico de glória daquela noite inolvidável. Através do véu espesso de lágrimas, repassou, uma por uma, as cenas da infância do filho estremecido, observando o alarma interior das mais doces reminiscências.

         Nas menores coisas, reconhecia a intervenção da Providência celestial; entretanto, naquela hora, seu pensamento vagava também pelo vasto mar das mais aflitivas interrogações.

         Que fizera Jesus por merecer tão amargas penas ? Não o vira crescer de sentimentos imaculados, sob o calor de seu coração ? Desde os mais tenros anos, quando o conduzia à fonte tradicional de Nazaré, observava o carinho fraterno que dispensava a todas as criaturas. Freqüentemente,ia buscá-lo nas ruas empedradas, onde sua palavra carinhosa consolava os transeuntes desamparados e tristes. Viajantes misérrimos vinham a sua casa modesta louvar o filhinho idolatrado, que sabia distribuir as bênçãos do Céu. Com que enlevo recebia os hóspedes inesperados que suas mãos minúsculas conduziam à carpintaria de José!...Lembrava-se bem de que, um dia, a divina criança guiara a casa dois malfeitores publicamente reconhecidos como ladrões do vale de Mizhep. E era de ver-se a amorosa solicitude com que seu vulto pequenino cuidava dos desconhecidos, como se fossem seus irmãos. Muitas vezes, comentara a excelência daquela virtude santificada, receando pelo futuro de seu adorável filho.

 

         Depois do caricioso ambiente doméstico, era a missão celestial, dilatando-se em colheita de frutos maravilhosos. Eram paralíticos que retomavam os movimentos da vida, cegos que se reintegravam nos sagrados dons da vista, criaturas famintas de luz e do amor que se saciavam na sua lição de infinita bondade.

 

         Que profundos desígnios haviam conduzido seu filho adorado à cruz do suplicio ?

 

         Uma voz amiga lhe falava ao espírito, dizendo das determinações insondáveis e justas de Deus, que precisam ser aceitas para a redenção divina das criaturas. Seu coração rebentava em tempestades de lágrimas irreprimíveis; contudo no santuário da consciência, repetia a sua afirmação de sincera humildade: - “Faça-se na escrava a vontade do Senhor !”.

 

         De alma angustiada, notou que Jesus atingira o último limite dos padecimentos inenarráveis. Alguns dos populares mais exaltados multiplicavam as pancadas, enquanto as lanças riscavam o ar, em ameaças audaciosas e sinistras. Ironias mordazes eram proferidas a esmo, dilacerando-lhe a alma sensível e afetuosa.

 

         Em meio a algumas mulheres compadecidas, que lhe acompanhavam o angustioso transe, Maria reparou que alguém lhe pousara as mãos, de leve, sobre os ombros.

 

         Deparou-se-lhe a figura de João, que vencendo a pusilanimidade criminosa em que haviam mergulhado os demais companheiros, lhe estendia os braços amorosos e reconhecidos. Silenciosamente, o filho de Zebedeu abraçou-se àquele triturado coração maternal. Maria deixou-se enlaçar pelo discípulo querido e ambos, ao pé do madeiro, em gesto súplice, buscaram ansiosamente a luz daqueles olhos misericordiosos, no cúmulo dos tormentos. Foi aí que a fronte do divino supliciado se moveu vagarosamente, revelando perceber a ansiedade daquelas duas almas em extremo desalento.

 

         - “Meu filho ! Meu amado filho...” exclamou a mártir, em aflição diante da serenidade daquele olhar de melancolia intraduzível.

 

         O Cristo pareceu meditar no auge de suas dores, mas, como se quisesse demonstrar, no instante derradeiro, a grandeza de sua coragem e a sua perfeita comunhão com Deus, replicou com significativo movimento dos olhos vigilantes:

 

         -“Mãe, eis teu filho !...” E dirigindo-se , de modo especial, com um leve aceno, ao apóstolo, disse: -“Filho, eis aí tua mãe !”

 

         Maria envolveu-se no véu de seu pranto doloroso, mas o grande evangelista compreendeu que o Mestre, na sua derradeira lição, ensinava que o amor universal era o sublime coroamento de sua obra, Entendeu que, no futuro, a claridade do Reino de Deus revelaria aos homens a necessidade de cessação de todo o egoísmo e que, no santuário de cada coração, deveria existir a abundante cota de amor, não só para o círculo familiar, senão também para todos os necessitados do mundo. ...

 

         Por muito tempo, conservaram-se ainda ali, em preces silenciosas, até que o mestre exânime, fosse arrancado à cruz, antes que a tempestade mergulhasse a paisagem castigada de Jerusalém num dilúvio de sombras.

 

                                               *

 

         Após a separação dos discípulos, que se dispersaram por lugares diferentes, para a difusão da Boa Nova, Maria retirou-se para Batanéia, onde alguns parentes mais próximos a esperavam com especial carinho.

...

         A esse tempo, o filho de Zebedeu, tendo presentes as observações que o Mestre lhe fizera na cruz, surgiu na Batanéia, oferecendo àquele espírito saudoso da mãe o refúgio amoroso de sua proteção. Maria aceitou o oferecimento, com satisfação imensa.

 

         E João lhe contou a sua nova vida. Instalara-se definitivamente em Éfeso, onde as idéias cristãs ganhavam terreno entre as almas devotadas e sinceras. Nunca olvidara as recomendações do Senhor e, no íntimo, guardava aquele título de filiação como das mais altas expressões de amor universal para com aquela que recebera o Mestre nos braços veneráveis e carinhosos.

 

         João continuava a expor-lhe os seus planos mais insignificantes. Levá-la-ia consigo, andariam ambos na mesma associação de interesses espirituais. Seria seu filho desvelado, enquanto receberia de sua alma generosa a ternura maternal, nos trabalhos do Evangelho. Demorara-se a vir porque lhe faltava uma choupana, onde se pudessem abrigar; entretanto, um dos membros da família real de Adiabene, convertido ao amor do Cristo, lhe doara uma casinha pobre, ao sul de Éfeso, distante três léguas aproximadamente da cidade. A habitação simples e pobre demorava num promontório, de onde se avistava o mar. ...

 

         Maria aceitou alegremente.

 

         Dentro de breve tempo, instalaram-se no seio amigo da Natureza, em frente ao oceano. Éfeso ficava pouco distante, porém a casa de João ao cabo de algumas semanas, se transformou num ponto de assembléias adoráveis , onde as recordações do Messias eram cultuadas por espíritos humildes e sinceros.

 

         A notícia de que Maria descansava, agora, entre eles, espalhara um clarão de esperança em todos os sofredores. Ao passo que João pregava na cidade as verdades de Deus, ela atendia, no pobre santuário doméstico, aos que procuravam exibindo-lhe suas úlceras e necessidades.

 

         Sua choupana era, então conhecida pelo nome de “Casa da Santíssima”.



Escrito por Edson Silvério às 19h00
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Maria - continuação

 

 

         A igreja de Éfeso exigia de João a mais alta expressão de sacrifício pessoal, pelo que,  com o decorrer do tempo, quase sempre Maria estava só. Os dias e as semanas, os meses e os anos passaram incessantes, trazendo-lhe as lembranças mais ternas. A velhice não lhe acarretara nem cansaços nem amarguras. A certeza da proteção divina lhe  proporcionava interrupto consolo.

 

         Súbito recebeu notícias de que um período de dolorosas perseguições se havia aberto para todos que fossem fiéis à doutrina do seu Jesus divino. Alguns cristãos banidos de Roma traziam a Éfeso as tristes informações. Em obediência aos éditos mais injustos, escravizavam-se os seguidores do Cristo,  destruíam-se-lhes os lares, metiam-nos a ferros nas prisões. Falava-se de festas públicas, em que seus corpos eram dados como alimento a feras insaciáveis, em horrendos espetáculos.

 

         Então, num crepúsculo estrelado, Maria entregou-se às orações, como de costume, pedindo a Deus por todos aqueles que se encontrassem em angústias do coração, por amor de seu filho.

 

         Enlevada nas suas meditações, Maria véu aproximar-se o vulto de um pedinte.

 

         - Minha mãe – exclamou o recém chegado, como tantos outros que recorriam a seu carinho-, venho fazer-te companhia e receber a tua bênção.

 

         Maternalmente, ela convidou a entrar, impressionada com aquela voz que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu, confortando-a delicadamente. Comentou as bem-aventuranças divinas que aguardam a todos os devotados e sinceros filhos de Deus, dando a entender que lhe compreendia as mais ternas saudades do coração. Maria sentiu-se empolgada por tocante surpresa. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos ? Nenhum lhe surgira até então para dar; era sempre para pedir alguma coisa. No entanto, aquele viandante desconhecido lhe derramava no íntimo as mais santas consolações. Onde ouvira noutros tempos aquela voz meiga e carinhosa?! Que emoções eram aquelas que lhe faziam pulsar o coração de tanta carícia ? Seus olhos se umedeceram de ventura, sem que conseguisse explicar a razão de sua terna emotividade.

 

         Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor:

 

         -“Minha mãe, vem aos meus braços !”

 

         Nesse instante, fitou as mãos nobres que se lhe ofereciam, num gesto da mais bela ternura. Tomada de comoção profunda, viu nelas duas chagas, como as que seu filho revelava na cruz e, instintivamente, dirigindo o olhar ansioso para os pés do peregrino amigo, divisou também aí as úlceras causadas pelos cravos do suplício.Não pode mais. Compreendendo a visita amorosa que Deus lhe enviava ao coração, bradou com infinita alegria:

 

         -“Meu filho ! Meu filho ! As úlceras que ti fizeram !. . .”

        

         E precipitando-se para ele, como mãe carinhosa e desvelada, quis certificar-se, tocando a ferida que lhe fora produzida pelo último lançaço, perto do coração. Suas mãos ternas e solícitas o abraçaram na sombra visitada pelo luar, procurando sofregamente a úlcera que tantas lágrimas lhe provocara ao carinho maternal. A chaga lateral também lá estava, sob a carícia de suas mãos. Não conseguiu dominar o seu intenso júbilo. Num ímpeto de amor, fez um movimento para se ajoelhar. Queria abraçar-se aos pés do seu Jesus e osculá-los com ternura. Ele, porém, levantando-a, cercado de um halo de luz celestial, se lhe ajoelhou aos pés e beijando-lhe às mãos, disse em carinhoso transporte:

 

         -“Sim minha mãe, sou eu! . . .Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos...”

 

         Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura. Queria dizer da sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus; mas o corpo como que se lhe paralisara, enquanto aos seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação do Anjo, qual se entoassem mil vozes cariciosas, por entre as harmonias do céu.

 

         No outro dia, dois portadores humildes desciam a Éfeso, de onde regressaram com João, para assistir os últimos instantes daquela que lhes era a devotada Mãe Santíssima.

 

         Maria já não falava. Numa inolvidável expressão de serenidade, por longas horas ainda esperou a ruptura dos derradeiros laços que a prendiam a vida material.

 

                                               *

 

         A alvorada desdobrava o seu formoso leque de luz quando aquela alma eleita se elevou da Terra, onde tantas vezes chorara de júbilo, de saudade e de esperança. Não via seu filho bem-amado, que certamente a esperaria, com as boas-vindas, no seu reino de amor; mas extensas multidões de entidades angélicas a cercavam cantando hinos de glorificação.

 

Experimentou a sensação de se estar afastando do mundo, desejou rever a Galiléia com seus sítios preferidos. Bastou a manifestação de sua vontade , para que a conduzissem à região do lago de Genesaré, de maravilhosa beleza. Reviu todos os quadros do apostolado de seu filho e, só agora, observando de alto a paisagem, notava que o Tiberíades, em seus contornos suaves, apresentava a forma quase perfeita de um alaúde. Lembrou-se, então, de que naquele instrumento da Natureza Jesus cantara o mais belo poema de vida e amor, em homenagem a Deus e à Humanidade. Aquelas águas mansas, filhas do Jordão marulhoso e calmo, haviam sido as cordas sonoras do cântico evangélico.

 

Dulcíssimas alegrias lhe invadiam o coração e já a caravana espiritual se dispunha a partir, quando Maria se lembrou dos discípulos perseguidos pela crueldade do mundo e desejou abraçar os que ficariam no vale das sombras a espera das claridades definitivas do Reino de Deus. Emitindo este pensamento, imprimiu novo impulso às multidões espirituais que a seguiam de perto. Em poucos instantes estava em Roma. Mas alguns momentos,  e seu olhar descobria uma multidão guardada a ferros em escuros calabouços. Penetrou os sombrios cárceres do Esquilino, onde centenas de rostos amargurados retratavam padecimentos atrozes. Os condenados experimentaram no coração um consolo desconhecido.

 

Maria se aproximou de um a um, participou de suas angústias e orou com as suas preces, cheias de sofrimento e confiança. Sentiu-se mãe daquela assembléia de torturados pela injustiça do mundo. Espalhou a claridade misericordiosa de seu espírito entre aquelas fisionomias pálidas e tristes. Maria aliviou-lhes o coração e, antes de partir, sinceramente desejou deixar-lhes nos espíritos abatidos uma lembrança perene. Que possuía para lhes dar ?! Mas. Jesus ensinara que com ele todo julgo é suave e todo fardo seria leve, parecendo-lhe melhor a escravidão com Deus do que a falsa liberdade dos desvãos do mundo. Recordou que seu filho deixara a força da oração como um poder incontrastável entre os discípulos amados. Então, rogou ao Céu que lhe desse a possibilidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da alegria. Foi quando, aproximando-se de uma jovem encarcerada, de rosto descarnado e macilento, lhe disse ao ouvido:

 

-“Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!...Convertamos as nossas dores na terra em alegrias para o Céu!...

 

A triste prisioneira nunca saberia compreender o porquê de tanta emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração. De olhos estáticos contemplando o firmamento luminoso, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de  profundo e enternecido amor a Jesus, em que traduzia sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando todas as suas amarguras em consoladoras rimas de júbilo e esperança. Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho.

 

Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria guardando a suave herança de nossa Mãe Santíssima."

 



Escrito por Edson Silvério às 18h59
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ALBERT SCHWITZER

 

Já foi dito,  que o mundo está dividido entre pessoas que dormem e pessoas despertas para a vida. Entre as despertas destacamos a figura monumental de Albert Schwitzer.

 

Nasceu em 14/01/1875, na cidadezinha de Kaysersberg, na Alsácia Superior, Alemanha,  seu pai era pároco e professor da pequena comunidade evangélica luterana do lugar que, em sua maioria, era católica, depois que a Alsácia passou a ser francesa a pequena paróquia se extinguiu.

 

Desde garoto preocupou-se  com as diferenças sociais. Sem ser briguento, ele gostava de medir forças físicas em lutas amistosas, um dia depois de subjugar um menino mais alto e dito mais forte do que ele, ouviu estas palavras: - Sim,  se me dessem a comer sopa de carne duas vezes por semana,  como você,  eu seria mais forte .

 

Impressionado com esta brincadeira, cambaleou para casa. A garotada da aldeia não o considerava como um dos seus iguais. Era para eles um privilegiado, o filho do pároco, um filhinho de papai. A sopa de carne tornou-se-lhe um nojo, mal ela aparecia na mesa ele ouvia a voz do menino.

 

Passou a tomar o maior dos cuidados para não se distinguir dos demais. Para o inverno recebera um capote, confeccionado de um velho sobretudo do pai. Mas nenhum garoto da aldeia usava o capote. Daí negou-se a usar o capote, e permaneceu firme, mesmo apanhando muitas vezes por isso.

 

A principio, não era bom aluno, por ser excessivamente sonhador. Seus boletins fracos causavam grande mágoa a seus pais, mas nem assim ele encontrava energia para alcançar  resultados melhores. Esteve mesmo ameaçado de perder a vaga gratuita que ocupava como filho de pastor.

 

Foi quando um salvador lhe apareceu na figura de um professor. Chamava-se Dr. Wehmann. Apesar dos seus sonhos, percebeu nitidamente, desde os primeiros dias, que esse professor preparava cuidadosamente cada aula. Sabia com precisão quanta matéria iria dar, e terminava-a exatamente. Também desenvolvia sempre, com absoluta pontualidade, os cadernos dos deveres no dia exato e na hora exata. Tamanha disciplina impressionou-lhe. Ele teria se envergonhado de desagradar a semelhante professor. Tomou-lhe por modelo. Por ocasião do próximo boletim já estava entre os melhores alunos.

 

Na música também foi assim. Seu professor costumava dizer: - Albert Schweitzer  é minha tortura. Isso em razão, de um lado, de ele tocar mecanicamente ou improvisar durante os exercícios; por outro lado, vexava-se de tocar com sentimento diante de seu professor.

 

Um dia o professor deu-lhe uma canção e disse-lhe: -Você nem merece que lhe dêem a tocar uma música tão linda. Com certeza vai profaná-la como as outras. Não se pode esperar sentimento de quem não o tem !

 

-Então é assim? – pensou consigo mesmo. – Pois hei de mostrar-lhe se tenho ou não sentimento. Durante toda a semana,  praticou assiduamente a música que já estava cansado de tocar mecanicamente. Experimentou até as melhores posições dos dedos. Na próxima aula, terminados os exercícios e os estudos, tocou a canção como a sentia. O professor não disse muita coisa, mas bateu-lhe com muita força sobre os ombros, depois mandou-o estudar Beethoven. Algumas aulas depois foi considerado digno de começar com Bach. E mais algumas aulas depois permitiu-lhe estudar no grande e belo órgão da igreja de São Estevão.

 

Assim em música foi considerado um autêntico prodígio. Compôs um hino aos sete anos, começou a tocar órgão aos oito, quando suas pernas mal alcançavam os pedais e aos nove serviu de substituto ao organista efetivo numa cerimônia religiosa.

 

Logo que se fez homem começou a exercer paralelamente três das suas quatro vidas profissionais. Estudou Filosofia na Universidade de Estrasburgo  e conquistou o primeiro doutorado com uma tese sobre Kant. Estudou Teologia, e em 1900, com 25 anos tornou-se pároco da Igreja de São Nicolau, em Estrasburgo. Estudou a teoria da música e começou sua carreira como concertista de órgão. Aos 26 anos, tinha diplomas de doutor em Filosofia, Teologia e Música. Enquanto isso, começou a escrever uma série de livros que nunca cessou.

 

Em 13 de outubro de 1905, com 30 anos, enviou várias cartas aos seus pais e alguns mais próximos conhecidos seus, comunicando que a partir do próximo inverno, começaria a estudar Medicina para, mais tarde trabalhar como médico na África Equatorial.

 

Já fazia algum tempo que alimentava este plano, cuja origem remontava ao seu tempo de estudante. Parecia-lhe inconcebível que, enquanto via tantos homens lutando e sofrendo, ele levasse uma vida tão feliz.

 

Numa manhã de verão de 1896, assaltou-lhe a idéia que ele não devia aceitar essa felicidade como algo completamente natural. Mas que ele deveria pagar por ela o seu tributo. Chegou a conclusão de que, até a idade de 30 anos, se entregaria à ciência e à arte, para, a partir daí por sua vida a serviço direto do próximo. Vinha se ocupando intensamente com o sentido, e sua aplicação a ele, da palavra de Jesus: “Quem quer possuir a vida, este a perderá; e quem perde a sua vida por amor a mim e do Evangelho, este a possuirá.”

 

Ainda não via com clareza de que espécie seria a sua atividade planejada para mais tarde. Deixaria que as circunstâncias lhe conduzissem. Tinha apenas a certeza de que seu serviço aos homens seria um serviço direto, imediato, por mais insignificantes que talvez fossem as aparências.

 

Pensou primeiramente em alguma atividade na própria Europa. Planejou acolher crianças abandonadas, educá-las e comprometê-las a, mais tarde, por sua vez, ajudarem crianças em idênticas condições. Ofereceu-se ora aqui, ora ali, porém sem resultado. As organizações de socorro a crianças abandonadas não admitiam a colaboração de voluntários.

 

Certa manhã, no outono de 1904, chegou-lhe as mãos, um fascículo da Sociedade Missionária de Paris,  com um artigo intitulado:  “As necessidades da Missão do Congo”, no qual Alfred Boegner, diretor da Sociedade Missionária de Paris, o qual se queixava da falta de pessoas na Missão para levar avante a obra em Gabum,  província setentrional da colônia do Congo.

Simultaneamente expressava a esperança de que esse apelo levasse à decisão aqueles “sobre os quais já pousassem o olhar do Mestre”. Terminada a leitura, retomou calmamente o trabalho. A sua busca chegara ao fim.

 

Na Sexta-feira Santa de 1913,  ele e sua mulher foram  para Lambaréné, na província do Gabão, África Equatorial Francesa (República do Gabão, a partir de 1960). Lá construiu um hospital para atender as tribos locais com recursos próprios e o auxilio dos nativos.

 

Em 1914, ao eclodir a Primeira Guerra Mundial, ele e sua esposa Helena Breslau, sua fiel colaboradora, foram detidos pelos alemães em Lambaréné; forçados a retornar a Europa (1917), permaneceram por breve período em um campo de prisioneiros na Provença, França. Em 1923, Schweitzer publicou os dois primeiros volumes da sua “Kulturphilosophie” (“A Filosofia da Cultura”), na qual faz uma revisão da história do pensamento ético.

 

Em princípios de 1924, retornou  à África para reconstruir seu hospital, tarefa dificultada pela falta de recursos.

Em 1948, Shweitzer voltou à Europa. Passou mais uma vez por cidades reduzidas a escombros, por entre sobreviventes transtornados . Tocou Bach, “que é um ato de oração e adoração”, Falou de Lambarene e da “reverência a vida”. E foi nesta ocasião que o mundo “descobriu” Schhwitzer. Os homens que durante cinco anos tinham pensado em matar-se ficaram sensibilizados, encantados diante deste velho que naqueles anos, numa região desconhecida e distante, só tinha pensado em salvar, em curar.

 

A universidade de Harvard o convidou para um ciclo de conferências, ao cabo das quais Albert Einstein o definiu como “o maior homem vivo”.

Em 1952 foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz.

 

Faleceu aos noventa anos, vitima de moléstias tropicais adquiridas durante os longos anos em que vivera na África; foi enterrado em Lambaréné, a seu pedido.

 

Texto retirado do livro Albert Schweitzer por ele mesmo, editora Martin Claret e da Enciclopédia Abril.



Escrito por Edson Silvério às 19h52
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SE ATÉ OS BONS SERÃOS SALVOS QUE SE DIRÁ DOS MAUS

 

Um dia,  li num livro da Sheicho-No-Ie uma explicação de Massaharu Taniguchi sobre o tema acima, que consta de uma sutra budista. Este ensinamento ficou em minha mente e já tentei localizar em que livro ele se encontra mas não consegui.

Refletindo sobre o ensinamento,  percebemos  uma elevada sabedoria, primeiro porque deixa claro que todos serão salvos, bons e maus. Entendido como salvação a entrada no mundo espiritual elevado onde reina o amor e a fraternidade,  dependendo de cada um que este momento chegue mais cedo ou mais tarde.

Segundo porque colocando que os maus terão mais facilidade em encontrar a salvação em comparação com os bons,  nos faz pensar:  será possível tamanha contradição ?

A chave do enigma está  na forma como a pessoa se considera. A pessoa que já tem o bem no coração não reconhece isto, assim  uma pessoa realmente generosa doa-se, não para ganhar uma recompensa ou para ir para o céu, simplesmente por lhe ser  natural  o sentimento e não conseguir agir egoisticamente.

Já muitas pessoas consideram-se  boas,  por frequentarem as atividades de  determinada religião,   ajudarem algumas vezes uma entidade ou um necessitado. Mas consideram-se superiores  àqueles que erram, não tem compaixão pelos que caem, e acreditam que eles já estão eternamente condenados pela justiça de Deus. Esquecem-se que,  apesar da soberana justiça divina, também Lhes são infinitas a  misericórdia e a bondade.

Como está no Apocalipse de João, são os mornos.

Jesus deixou isto claro na parábola contida  em Lucas, cap. XVIII, versículos 9 a 14: “Dois homens subiram ao templo, a fim de orar; um era fariseu e outro publicano. O fariseu, estando em pé orava assim consigo mesmo: Meu Deus, eu vos rendo graças porque não sou como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que possuo.

O publicano,  ao contrário, mantendo-se distante, não ousava sequer erguer os olhos ao céu; mas batia no peito dizendo. Meu Deus, tende piedade de mim que sou um pecador.

Eu vos declaro que este retornou, entre os seus, justificado, e não o outro, porque todo aquele que se eleva será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado.”

Assim, na passagem da aduana da morte, com certeza, não nos será perguntado qual a nossa religião, quais os títulos de nobreza ou de inteligência que carregamos e sim o quanto fizemos de bem aos nossos irmãos e a nós mesmos.

Não tenho certeza se foi o espírito Emmanuel quem disse que no plano espiritual maior cada vez mais estão chegando os ateus em vez dos religiosos. Pois aqueles fazem o bem sem qualquer interesse pessoal, somente pela alegria de ajudar, e muitos foram levados a descrer em Deus, pela idéia transmitida erroneamente de uma divindade principalmente os que não acreditavam em Deus, por não conseguir conceber a idéia muitas vezes ensinada de uma divindade  que tem os mesmos defeitos dos homens,  que castiga, que se vinga,  que privilegia uma pessoa em detrimento da outra.

Retornando ao ensinamento da sutra budista, os maus que são salvos primeiramente são aqueles que erraram na terra, arrependeram-se, apreenderam com os erros, procuraram não errar mais e, melhor ainda, repararam o mau que fizeram fazendo o bem.  E chegam bem no plano espiritual pois não têm o que esconder, sabem de suas imperfeições .

Já as pessoas que se achavam boas,  por cumprirem as obrigações externas sem cuidar da religiosidade interna, quando se vêem no mundo espiritual e percebem que não estão com a “veste nupcial” e sim com uma roupa sem nenhuma luz, e percebem que aqueles que julgavam como condenados estão em situação bem melhor que a sua, fogem para a sombra para não serem vistos, adiando o processo de regeneração.



Escrito por Edson Silvério às 23h43
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Oração da Serenidade

“Concedei-me Senhor a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar áquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.”

 

Em quase todos os Grupos de Apoio a Oração da Serenidade é o momento inicial. É quando  todos se dão as mãos e oram, antecedendo com a seguinte afirmação de ânimo e solidariedade: -"Eu coloco minha mão na sua e uno meu coração ao seu para que juntos possamos fazer  aquilo que sozinho não consigo."

É uma oração de esperança,  que nos ensina a modificação de nossas vidas mas sabendo esperar o tempo das colheitas.

Tentamos abaixo estudar a oração por partes de modo que melhore a reflexão sobre o seu conteúdo:

a) Concedei-me Senhor...

Sendo Deus o infinito em inteligência e bondade só recebemos dele coisas boas para nossas vidas e o seu amor nos alcança quer mereçamos ou não. Da mesma forma que os raios de sol buscam tanto a rosa quanto o pântano fétido, cabe a cada um refletir este amor para o bem de muitos, sendo sempre aquele o maior beneficiado. Além disso solicitar Sua ajuda para nossa vida implica em elevarmos nosso pensamento e sintonizarmos com a  plena harmonia. Deixar de fazê-lo é abdicar da água da fonte, da sombra da árvore, do colo da mãe,  durante a subida pela estrada da vida.

Muitas pessoas não se achando merecedoras da ajuda de Deus solicitam para que outras pessoas orem por elas e apesar de toda oração ser boa,  elas perdem a oportunidade de entrar em contato com a onda do amor puro.

 

b) ... a serenidade necessária para aceitas as coisas que não posso modificar...

Serenidade é muito mais que calma,  é a compreensão dos fatos da vida,  é reconhecer nossa responsabilidade em tudo o que nos alcança de bom e de ruim, é compreender  a verdade que o amor é a solução para todos os sofrimentos, e estes nos servem de ajuda para retornarmos ao caminho do amor.

São poucas as coisas na vida que não podemos modificar, e para isto torna-se necessário,  primeiramente,  a arte da aceitação.

E a coisa mais dura de aceitarmos somos nós mesmos. Não gostamos do jeito que somos. Temos dificuldade até de nos vermos no espelho, observar  nossas fotos, a gravação de nossa voz, etc. Resumindo não nos amamos nem um pouquinho.

Mas sem nos aceitarmos torna-se muito difícil conseguirmos a melhora. Pois para nos protegermos da opinião das outras pessoas, daquilo que nos mesmos julgamos e condenamos em nós, passamos a vestir máscaras. Com isto acabamos por não nos conhecermos, não sabemos os nossos defeitos,  e o que é pior, nem as nossas qualidades.

Assim,  o primeiro esforço é o da nossa própria aceitação. Tem muita coisa que podemos melhorar, mas já fazemos muitas coisas boas que nos dão crédito para nos gostarmos.

O segundo passo é aceitar as outras pessoas como elas são, principalmente aquelas mais próximas. Sabemos que não podemos modificar ninguém, mas passamos a vida toda querendo modificar todo mundo,  tomando conta da vida de todos menos da nossa própria.

Apesar de engraçada, não é correta a afirmação que as mulheres casam com a esperança que os maridos se modifiquem  e os maridos que as mulheres não se modifiquem. Ambos querem mudar o outro.

O terceiro passo é a aceitação dos fatos ruins da vida, que são o melhores momentos de aprendizado, quando os enfrentamos com serenidade , sem apavoramento e procurando saídas. Da mesma forma como foi descrito no livro “Quem roubou meu queijo”, é comum ficarmos batendo a cabeça na porta fechada sem notarmos uma grande quantidade de portas que foram abertas do outro lado.

 

c) “... coragem para modificar aquelas que posso ...

Modificar hábitos exige muita coragem, pois sempre ficamos acomodados com a situação vigente ainda que ela não seja boa. Para trabalhar o processo de mudança, alguns passos são importantes:

Querer:  Muitas vezes conscientemente queremos mudar, mas inconscientemente não. O Dr. Paulo Gaudêncio no Livro Mudar e Vencer, Editora Gente, relata uma pesquisa de que participou,  onde foi constatado que 70% dos pacientes não seguiam a medicação que foi prescrita e  que a maioria delas se portava assim pois inconscientemente não desejavam a cura. Ficar doente tem lá suas vantagens, como ser paparicada, não ser cobrada em suas responsabilidades, não tomar certas atitudes difíceis mas necessárias etc. Assim o primeiro passo é perguntarmo-nos: realmente queremos mudar ?

 

Crer:  Temos que colocar o subconsciente para trabalhar em nosso favor visualizando a situação almejada. Meu sobrinho Vitor há alguns anos queria um videogame e quando juntou algum dinheiro foi e comprou uma fita do aparelho. Minha irmã bronqueou com ele, porque gastar com a fita se você não tem o aparelho. Ele respondeu que quando a mãe o levou para assistir uma palestra na Seicho-no-ie ele ouviu um relato de uma senhora que havia comprado a flanela de limpar o vidro do carro sonhado, e acabou conseguindo o objeto do desejo, proporcionalmente a fita era muito maior, não sei como só sei que daí a alguns meses ele ganhou o aparelho.  Desde o início do processo de mudança já temos que nos ver na situação objetivada. Se quero ser generoso, já vou colocando na minha mente situações em que estou exercendo naturalmente a generosidade.

Esforçar-se  - Para conseguir uma medalha em uma olimpíada um nadador tem que treinar mais de oito horas por dia, debaixo de chuva e frio. Para passar em um concurso hoje em dia se a pessoa não se dedicar em muitas horas de estudo, pode até passar, mas não conseguirá classificação. Assim todas as coisas na vida exigem esforço. E nós já estamos acostumados a isto em coisas que nos dão prazer. Exemplo disso é o pescador que acorda às quatro horas da madrugada, prepara seu próprio lanche, gasta gasolina para ir até o rio, leva muitas picadas de pernilongo e não reclama pois o pescar proporciona um prazer que supera em muito o esforço para consegui-lo.

De início temos que agir de forma bastante consciente para a mudança de hábitos. É igual quando estamos aprendendo a dirigir. Temos que pensar em ligar a chave, colocar a primeira, em pisar no pedal da embreagem, soltar devagar e ao mesmo tempo ir acelerando, dai o carro afoga, e começamos tudo novamente. Quando ganhamos prática se uma pessoa perguntar que marcha estamos andando, temos que olhar, pois passamos a fazer tudo automaticamente.

Por incrível que possa parecer as pessoas ao nosso lado muitas vezes não são agentes facilitadoras da mudança. Elas também acostumaram-se com o nosso jeito de ser e temem nossa modificação.

Paciência: Minha irmã Rosana sempre diz que a pessoa não engorda da noite para o dia,  por isso não pode querer emagrecer  imediatamente. Muitas das nossas modificações não são conseguidas pois queremos colher frutos antes do tempo. É necessário aguardar que a nossa mudança reflita no comportamento das pessoas. Um bom exemplo disso é retirarmos gasolina de um recepiente, colocarmos água pura e já queremos beber. Para tirar o gosto e o cheiro de gasolina é necessário colocarmos água pura por bastante tempo.

d) ...sabedoria para distinguir uma das outras.

Sabedoria é muito mais que inteligência. É a qualidade daquele que colocou sentimento na razão, e isto só é conseguido na vivência. Se lermos todos os livros escritos sobre paciência, não seremos pacientes. Só aprenderemos no contato com aquelas pessoas que não irritam, quando passamos a ver suas qualidade e tolerar seus defeitos.

 

Bibliografia : Livro Mudar e Vencer, Gaudêncio Paulo, Editora Gente, e de memória muitos livros de Divaldo Pereira Franco psicografados por Joanna de Angelis especialmente o Livro Plenitude.



Escrito por Edson Silvério às 22h33
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VIRTUDE OU MEDO DAS CONSEQÜÊNCIAS

 

 

No transcorrer de nossas vidas somos sempre defrontados pelo dilema shakespeariano, ser ou não ser, agir desta ou daquela forma.

Considerando as vezes que acreditamos que agimos corretamente (principalmente quando a alternativa considerada errada nos proporciona alguma vantagem ou prazer, pois do contrário agir corretamente é muito fácil) podemos nos inquirir será que fui honesto ou tive medo das conseqüências ?

Existe uma diferença muito grande entre as duas motivações,  pois quando agimos com medo das conseqüências ainda não incorporamos em nosso comportamento a virtude. Assim quando esse medo arrefecer de alguma forma, optaremos por aquilo que sabemos não ser o mais correto, mas que nos dá vantagem ou prazer. E a adoção do comportamento que já sabemos errado, dá-se por um mecanismo utilizado pelo ego chamado de racionalização. Este mecanismo busca justificar o erro mediante aparentes motivos justos, que degeneram o senso critico de integridade moral. Assim passamos a burlar nossa consciência com raciocínios tipo: todo mundo faz; só desta vez; preciso compensar um prejuízo etc.

Logicamente o medo das conseqüências é um fator positivo para não sairmos por aí agredindo o direito e a liberdade de outras pessoas. É também primordial na educação,  principalmente na colocação de limites e na demonstração de que todos os atos têm conseqüências. A falta desses limites e da sanção pelo não cumprimento é um  dos fatores que levam os jovens a agirem de forma  inconseqüente, e até passarem a consumir drogas, pois os pais fizeram de tudo para que eles nunca fossem frustrados em todos os seus desejos.

Este medo vem da autoridade terrena representada pelos pais, promotores, polícia, juízes, cônjuges e também da autoridade divina.

Este último medo faz com que a pessoa seja extremamente dura no julgamento dos atos do próximo. Conforme conta o psiquiatra Paulo Gaudêncio no excelente livro Mudar e Vencer,  da Editora Gente, o “Santo” não suporta ver um pecador feliz. Assim a pessoa por exemplo tem um grande desejo de trair a esposa mas o medo de Deus a impede, e do seu lado vê um colega com um caso extraconjugal sem culpa nenhuma; para o”Santo” isto é um inferno e ele faz de tudo para tentar punir o colega, seja denegrindo sua imagem, seja delatando-o etc.

È diferente a atitude da pessoa que faz a coisa certa pois já sentiu e portanto aprendeu que isto é bom e prazeroso, esta faz o bem sem perceber e não julga àqueles que ainda não o fazem.

É como diz o ditado:  “Se o malandro soubesse a vantagem da virtude, ele seria virtuoso , ainda que fosse por malandragem”.

 

Bibliografia: Além da citada no texto, o livro O Ser Consciente - Divaldo Pereira Franco - Joanna de Ângelis

 



Escrito por Edson Silvério às 19h40
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EDUCAÇÃO BRASILEIRA, É PRECISO MUDAR

 

Em matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo na semana que passou, o Governo do Estado de São Paulo divulgou  resultado de um exame de avaliação efetuado nas escolas públicas demonstrando claramente que as crianças não sabiam matemática.  O exame de admissão da OAB ano após ano mostra que a grande maioria dos bacharéis em direito não tem o conhecimento mínimo para exercer a profissão para que estudaram. E assim verifica-se em todos os níveis,  em todos os cursos, mas onde está o problema   ?

O governo fala sempre que vai melhorar o investimento em educação, os educadores por sua vez dizem que o problema está no baixo salário que são pagos aos professores, outros advogam o fato que a solução é manter o aluno o dia inteiro na escola, que foi desmentido recentemente ao avaliar que aqueles que freqüentaram o período integral estavam com a mesma dificuldade de aprendizagem dos demais.

Um dia assistindo ao programa “Roda Viva” da TV Cultura de São Paulo, chamou minha atenção uma resposta de um físico americano,  respondendo à pergunta  se os livros didáticos de física adotados no Brasil eram bons, ele disse que eram bem mais completos que os utilizados nos Estados Unidos, só que tinham um diferencial  muito importante, e deu o exemplo de determinado fenômeno onde o livro brasileiro dava o conceito teórico super detalhado   e o livro americano dizia o seguinte, tal fenômeno resulta de você colocar tal substância em contato com outra.

De nada adianta investimentos maciços em educação, melhoria dos salários dos professores, estudo em período integral se não houver uma mudança total no foco da educação brasileira que prioriza a teoria e o alunos de todos os níveis não conseguem  entender qual a utilidade prática. Ao invés disto dar a prática e estimular o aluno a buscar a teoria, esta última passa a ser facilitadora do já compreendido na primeira.

Assim por exemplo o ao ensinar a  multiplicação mostrar ao aprendiz com elementos materiais a operação deixando que ele obtenha o resultado contando os elementos até que sinta a necessidade de saber qual operação matemática lhe facilitaria a tarefa, daí ele sempre vai saber o que é multiplicar. Por estes dias a televisão mostrou uma criança que achou um jeito muito mais simples que o conhecido de calcular raiz quadrada.

Da mesma forma com o ensino de português ou  de biologia sempre partir do conhecido para o desconhecido da prática para uma teoria que facilite a prática.

Na faculdade a mesma coisa, eu fiz administração de empresas, na qual desde o primeiro ano fui obrigado a decorar teorias e mais teorias de administração americana e quando me formei não estava habilitado para administrar nem uma lojinha de roupa.

Mas se o aluno de administração no 1º ano fosse levado a abrir uma pequena empresa, teria em direito tributário como abrir uma empresa, a legislação do simples e do imposto de renda da pessoa física, em contabilidade como fazer o livro caixa da empresa; em custos como calcular o preço de venda, o custo do estoque, em direito do trabalho, como contratar o funcionários, qual os deveres trabalhistas de uma pequena empresa e os riscos potenciais de ser autuada pela fiscalização, como também os direitos de recorrer administrativamente e juducialmente; em marketing como valorizar o produto, como fazer propaganda em panfletos, no rádio, no jornal local. Assim no final do primeiro ano o aluno já estaria em condições de ser gerente de uma pequena empresa ou montar seu próprio negócio. A partir do 2° na a administração de uma média empresa e só no terceiro e quarto anos a prática de gerenciar uma grande empresa, e a teoria os alunos iriam buscar ou criar para facilitar a gerência.

Temos visto que o Brasil tem obtido muito sucesso quando destemidamente procura soluções próprias,  exemplo disto são as declarações de imposto de renda via internet, a máquina de votação, o carro popular, a compensação de cheques etc.

Para dar esta virada na educação o governo deveria colocar na gerência do projeto não um educador, pois seria muito difícil a mudança de paradigma, e sim pedir o auxilio em nome do bem do Brasil de um gerente de sucesso como por exemplo o Sr. Antonio Hermínio de Moraes.

 

Solicitei a uma grande amiga Magali Canhada que fizesse uma critica do texto  principalmente quanto a gramática, mas ela apenas deu algumas dicas que incorporei, pois com certeza os erros eram muitos e segundo ela não queria tirar minha espontaneidade.



Escrito por Edson Silvério às 18h24
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A compensação

Em crônica publicada em 20/03/2008 no Jornal Folha de S.Paulo, saiu de longe o melhor artigo sobre a demissão do governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, nela Contardo Calligaris analisa com grande propriedade a diferença entre o moralizador e o homem moral e  compensação, um dos elementos de fuga do ego. Neste fenômeno  compensamos os nossos conflitos tentando aniquilar as  pessoas que possuem a mesma dificuldade.

Assim se tenho dentro de mim a desonestidade meu ego tenta escondê-la das demais pessoas. E inconscientemente sinto a necessidade de  atacar e perseguir os menores atos alheios de desonestidade, como se combatendo nos outros pudesse limpar aquilo que considero sujo dentro de mim.

É comum vermos esses "paladinos da justiça" caindo nas mesmas situações que empreenderam a vida toda em combater ferozmente em discursos e atos. 

Mas  notarmos esta máscara que o ego coloca nas outras pessoas nos adianta muito pouco. Serve somente  para conscientes do fato passarmos a avaliar as situações de acordo com o que vivenciamos e sabemos. E deixarmos de aceitar os julgamentos de outras pessoas por coisas que desconhecemos. Pois do contrário seremos levados ao preconceito.

O que importa mesmo á analisarmos nossas opiniões, nossos discursos e verificarmos o que o nosso ego está tentando esconder de nossos conflitos, nossa sombra.  

O ego compensa sempre os nossos conflitos levando nossos julgamentos para a situação oposta. Assim se passamos a desconfiar e criticar o comportamento sexual alheio, com certeza temos dentro de nós, um problema a ser resolvido na área sexual.

Isto não quer dizer que toda pessoa que sabe avaliar um comportamento como certo ou errado está compensando, longe disso, é no exacerbamento do julgamento alheio, na perseguição totalmente injustificada que percebe-se o fenômeno.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Edson Silvério às 17h01
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A Ingratidão para com DOM PEDRO II

 De todos os que colaboraram para o engrandecimento de nossa pátria sem dúvida o mais injustiçado e muitas vezes até ridicularizado em livros e filmes foi Dom Pedro II.

 Guardadas as devidas proporções é só verificar o que acontece com os nossos mandatários em 04 ou 08 anos que passam pelo poder.

Dom Pedro II, nascido no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1825, com um ano de idade perdeu a mãe, aos cinco anos de idade, após a abdicação do pai, foi proclamado imperador do Brasil,  o seu pai foi para Portugal e ele recebeu como tutor José Bonifácio de Andrade e Silva. Ainda adolescente tendo em vista a grandes instabilidade política que dominava os países da América Latina, os governantes brasileiros julgaram necessário apressar o processo de sua maioridade pois todos reconheciam a mais elevada madureza de raciocínio e as qualidades que lhe exornavam o caráter.

A sua primeira preocupação administrativa foi pacificar o ambiente intoxicado de sedições e rebeldias. Prestigiando Caxias, consegue levantar a bandeira branca da paz nas Províncias de São Paulo e Minas, Daí a algum tempo, com sua política de moderação e tolerância , consegue a tranqüilidade geral em todo o Rio Grande do Sul, com anistia plena e com o respeito às honras militares de todos os chefes da insurreição.

A mancha da Guerra do Paraguai fez com que o Brasil retirasse desse patrimônio de experiências os mais altos benefícios para a sua política externa e para a sua vida organizada, sem exigir um vintém dos proventos de suas vitórias. A diplomacia brasileira encarou de mais perto o arbítrio inviolável dos países vizinhos e uma nova tradição de respeito consolidou-se na terra do Cruzeiro. Nunca mais o Brasil praticou uma intervenção indevida . E assim durante quase 60 anos governou o Brasil mantendo a integridade do seu território sem guerra, com a grande ajuda do Visconde e do Barão do Rio Branco, legando-nos um território continental, enquanto via-se a América espanhola sendo retalhada.

Quando recebeu a notícia da proclamação da república, repeliu todas as sugestões que lhe eram oferecidas por aqueles que desejavam a reação. Preparou, rapidamente sua retirada com a família imperial para a Europa , obedecendo às imposições dos revolucionários e, com lágrimas nos olhos , rejeita as elevadas somas de dinheiro que o Tesouro Nacional lhe oferece, para aceitar somente um travesseiro com a terra do Brasil, a fim de que o amor da Pátria do Cruzeiro lhe santificasse a morte, no seu exílio de saudade e pranto. Bibliografia Xavier, Francisco Cândido – Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho



Escrito por Edson Silvério às 14h55
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